segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Orientação Para Trabalhos: História, Sociologia e Filosofia




 



ORIENTAÇÃO PARA TRABALHOS ESCOLARES
                Objetivando tornar a avaliação dos trabalhos escolares  e sua avaliação mais objetiva e imparcial nas áreas de HISTÓRIA, FILOSOFIA e SOCIOLOGIA do Colégio HMS, ficam determinados os critérios para a realização dos mesmos.  Cabe também lembrar que se no início parecerá complicado, a medida em que se estabelece como rotina, a mesma será útil em sua vida acadêmica e profissional mais adiante.
1.       Via de regra os trabalhos são de caráter individual e, eventualmente, em grupo;
2.       As datas de entrega são basicamente improrrogáveis.  Em casos excepcionais pode-se conceder uma tolerância, correspondendo esta porém, a uma diminuição do valor atribuído a este tipo de avaliação;
3.       Os elementos fundamentais de um trabalho são: capa, índice, introdução, desenvolvimento, conclusão e bibliografia;
4.       O modelo da capa será fornecida oportunamente;
5.       O ÍNDICE reúne as informações referentes às partes do trabalho a ser apresentado;
6.       Já a INTRODUÇÃO consiste na exposição do objetivo ou proposta do trabalho a ser desenvolvido;
7.       A execução do trabalho ocorre no DESENVOLVIMENTO ou CORPO DO TRABALHO.  Nesta parte o aluno apresenta as discussões e explicações  do tema  definido para o mesmo;
8.       Já na CONCLUSÃO, produz-se o encerramento da tarefa.  Esta deve ser não só compatível com a Introdução, como é sempre pessoal;
9.       No item BIBLIOGRAFIA o aluno indica as fontes de pesquisa a que recorreu, tais como livros, jornais, revistas, etc.  No caso de fontes oriundas da internet, é conveniente citar dia e hora para garantir a veracidade das informações consultadas;
10.   Todos os trabalhos devem ser digitados em papel A4 e fonte Times New Roman tamanho 12 e espaçamento 1,5 para as linhas.  Quando se faz uma citação mais longa (mais de três linhas), a norma exige uma redução do tamanho da fonte para tamanho 10 e um recuo maior do que o parágrafo.  Por exemplo: 
Assim, tomando por base aquilo que foi proposto por Gneisenau:
“Foi então emitida uma diretiva operacional – a de número 17 – que recomendava uma imediata retirada.  A escassez de recursos materiais e humanos tinha levado todo o Exército, e toda a campanha, a um impasse”.
11.   Todas as partes do trabalho, do índice até a bibliografia, inciam sempre uma nova folha;
12.   No caso de acrescentar notas explicativas estas podem ser colocadas no rodapé da página ou ao final do trabalho, entre a Conclusão e a Bibliografia.
Sendo o objetivo de um trabalho escolar a produção de um conhecimento ou o reforço de uma aprendizagem, não é aceitável a apropriação de conceitos e conclusões alheias.  Independente da fonte de consulta, cópia não constitui aprendizagem e configura, quando o aluno de forma consciente copia trabalho de outra pessoa ou transcreve informações sem citação de fonte, uma desonestidade intelectual.
 O aluno recorre a uma fonte de pesquisas e reescreve, com suas palavras, aquilo que entendeu ou achou relevante para o tema pesquisado!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Cláudio de Almeida

domingo, 9 de fevereiro de 2014

PRÉ-HISTÓRIA - Paleolítico, Mesolítico, Neolítico (Pedra lascada, pedra polida) Homo evolução

* Este fragmento de artigo é uma transcrição de um texto existente em http://www.portalescolar.net/2011/07/pre-historia-paleolitico-mesolitico.html

"
Pré-História é o período da história que antecede a invenção da escrita (evento que marca o começo dos tempos históricos registrados), que ocorreu aproximadamente em 4000 a.C.. Período histórico que antecede o aparecimento da escrita e do uso dos metais, e que é reconstituído e estudado por meio da antropologia, da arqueologia, da paleontologia.

Também pode ser contextualizada para um determinado povo ou nação como o período da história desse povo ou nação sobre o qual não haja documentos escritos. Assim, no Egito, a pré-história terminou aproximadamente em 3500 a.C., enquanto que no Brasil terminou em 1500 e na Nova Guiné ela terminou aproximadamente em 1900. Para muitos historiadores o próprio termo "pré-história" é errôneo, pois não existe uma anterioridade à história e sim à escrita.



A transição para a "história propriamente dita" se dá por um período chamado proto-história, que é descrito em documentos, mas ou são documentos ligeiramente posteriores ou documentos externos. O termo pré-história mostra, portanto, a importância da escrita para a civilização ocidental.

Uma vez que não há documentos deste momento da evolução humana, seu estudo depende do trabalho de arqueólogos ou antropólogos, como por vezes de outros cientistas, que analisam restos humanos e utensílios preservados para determinar o que acontecia.

Foi uma importante fase, pois o homem conseguiu vencer as barreiras impostas pela natureza e prosseguir com o desenvolvimento da humanidade na Terra. O ser humano foi desenvolvendo, aos poucos, soluções práticas para os problemas da vida. Com isso, inventando objetos e soluções a partir das necessidades. Ao mesmo tempo foi desenvolvendo uma cultura muito importante. Esse período pode ser dividido em três fases: Paleolítico, Mesolítico e Neolítico.".

_____________________________________________________
ATIVIDADE:
1)Faça uma pesquisa e indique pelo menos três características de cada um dos períodos citados acima (Paleolítico, Mesolítico e Neolítico).

2)Por que segundo o texto, falar-se em "pré-História" está errado?

3)Em casa leia a íntegra do texto e entregue um comentário na próxima aula, por escrito, ao professor.
 

sábado, 28 de dezembro de 2013

BBC Brasil - O legado paradoxal de Mao Tsé-Tung na China atual

Cartazes de Mao Tsé-Tung (AP)
O americano Sidney Rittenberg passou 35 anos na China em um tempo de grandes mudanças no país, se tornando amigo pessoal de Mao Tsé-Tung e de outros líderes revolucionários chineses que assumiram o poder a partir de 1945. No dia em que Mao, morto em 1976, faria 120 anos, Rittenberg revela à BBC sua perspectiva única da guerra civil no país, dos primeiros dias do comunismo e da filosofia do Grande Timoneiro, como era chamado Mao. Leia abaixo:
Como tudo mais na China, o papel de Mao hoje em dia é o estudo de um paradoxo. Ele é, ao mesmo tempo, mais e menos do que o imenso cartaz que domina o centro da Praça da Paz Celestial, em Pequim, e que não será removido de lá tão cedo.
Mais do que a foto porque Mao tem para os chineses a estatura de um George Washington para os americanos, é o fundador da República Popular da China, o grande unificador de seu milenar, vasto e diversificado povo.
E menos do que a foto porque a juventude chinesa atual, incluindo jovens membros do Partido Comunista, geralmente nada sabem sobre o que Mao escreveu, seus triunfos e seus monstruosos erros.
O presidente Xi Jinping e sua equipe advertiram que uma "desmaoização" da China, no estilo soviético, poderia gerar grande confusão e o enfraquecimento do presente regime – um regime cuja estabilidade eles consideram essencial para conduzir a China pelo caminho tortuoso da reforma.
Ao mesmo tempo, eles reconhecem como foram catastróficas aventuras de Mao como o Grande Salto Adiante do final dos anos 1950 e a Revolução (anti-) Cultural de 1966 a 1976. Esses experimentos sociais megalomaníacos custaram dezenas de milhões de vidas.
Diferentemente de Stalin, Mao não sentenciou ninguém diretamente à morte e certamente não tinha a intenção de estabelecer a fome em seu país.
Mas ele sabia muito bem que ele estava realizando imensos experimentos sociais que interfeririam nas vidas de multidões – e ele próprio não sabia qual seria o resultado disso.
O líder chinês confessou isso à escritora americana de esquerda Anna Louise Strong em 1958, quando ela estava prestes a escrever um livro elogiando seu programa de coletivização do campo e insdustrialização urbana, o Grande Salto Adiante.
"Espere outros cinco anos antes de escrevê-lo", disse Mao a ela, explicando que ele não tinha certeza sobre o resultado do experimento.

Revivendo o Maoismo

Mas estaria Xi Jinping revivendo o Maoismo? Ou quem o estaria fazendo era Bo Xilai, o agora amaldiçoado ex-dirigente do PC em Chongqing?
A resposta é não em ambos os casos.
"A filosofia analítico-sintética de Mao é a real arma secreta da China, embora ela seja muito negligenciada até mesmo na China atual."
Sidney Rittenberg
Bo estava simplesmente usando slogans demagógicos sobre igualdade para tentar angariar o apoio dos pobres.
Quanto a Xi, as reformas que está propondo vão na direção contrária à economia proposta por Mao – ainda que o atual presidente faça uso da dialética maoísta para analisar os problemas chineses e suas potenciais soluções, além de defender um reconhecimento dos avanços positivos da liderança do "Grande Timoneiro".
Isso nos leva a uma reflexão interessante, quase universalmente ignorada por acadêmicos do Ocidente - com algumas poucas honrosas exceções, como Peter Nolan, da Universidade de Cambridge: a filosofia analítico-sintética de Mao é a real arma secreta da China, embora ela seja muito negligenciada até mesmo na China atual.
Para entender isso, veja o exemplo da situação que encontrei quando cheguei à China, em 1945.
Dois partidos rivais, os nacionalistas do Kuomintang e os comunistas chineses, estavam preparando suas forças armadas para disputar o poder em uma violenta guerra civil.
Do lado dos nacionalistas estavam soldados bem alimentados e bem treinados com apoio aéreo, divisões de tanque, artilharia pesada, transporte motorizado – e em um número muito maior do que o de soldados comunistas.
Eles controlavam as principais linhas de comunicação, todas as principais cidades fora da Manchúria (região no nordeste da China). Gozavam de enorme apoio, na forma de armas e dinheiro, dos EUA. Sua superioridade parecia absoluta.
E do lado dos comunistas? Em novembro de 1946, eu andei 40 quilômetros a partir de Yanan para encontrar a 359ª brigada, cujo comandane, Wang Zhen, era meu amigo.
A 359ª havia participado da lendária Grande Marcha e havia construído uma via até a província de Guangdong, no sul, para dar apoio à base aérea americana lá estabelecida durante a Segunda Guerra.
Ao me encontrar com a brigada no momento em que ela seguia rumo a Yanan, fiquei espantado com o que vi.
Uns poucos em cada divisão usavam sapatos remendados, mas a maioria seguia adiante usando sandálias que eles mesmo haviam costurado. De cada dez homens em uma divisão, cinco ou seis usavam fuzis japoneses que haviam apreendido no passado; o resto usava clavas ou lanças.
Meu coração ficou apertado com o que eu vi: como poderiam vencer?
Ainda assim, eles venceram. Por quê? Por causa de uma maneira superior e mais científica de se pensar, que levou à adoção de políticas criativas e altamente populares (como a reforma agrária) e a táticas versáteis que golpearam as tropas do Kuomintang.

Os princípios

Mao sempre descreveu a si mesmo para visitantes como "um professor de escola primária". Ele era, de fato, provavelmente o professor de filosofia com mais penetração na história humana. Entre seus princípios fundamentais estavam:
  • Buscar a verdade a partir dos fatos: investigar e estudar dos fatos a partir de sua tarefa específica ou localização, e basear suas políticas e ações nisso. Não comece nada a partir de verdades pré-concebidas e colecione fatos que provem que você está certo, negligenciando fatos que coloquem em dúvida suas conclusões;
  • "O um se divide em dois": Tudo tem muitos lados, tudo está em mudança, nada é puro e simples. Não analisar, não testar, concluir como é um livro apenas por olhar a sua capa é uma receita para a simplificação exagerada e para o desastre;
  • O inimigo é muito mais numeroso e mais bem armado que você? Então lute contra ele crescendo aos poucos, em situações locais em que você supera os números dele, em que você tem uma vantagem – nunca lute quando a vitória não é certa. Sua estratégia geral no início é defensiva, mas a luta de cada indivíduo deve ser ofensiva, a fim de equilibrar as forças e vencer a guerra;
  • "Das massas e para as massas": A equipe de liderança precisa ser como uma fábrica, processando dados, carências e demandas do povo na base, formulando políticas para satisfazer essas necessidades, voltando às bases para monitorar a implementação de decisões e fazendo as revisões necessárias. Precisa haver um contínuo processo "para baixo, para cima, para baixo" de liderança. Restaurar esse processo tem sido um esforço-chave da equipe de Xi Jinping.
Historiadores na China e no exterior continuarão a estudar o papel de Mao por séculos, mas o povo chinês provavelmente não irá deixar de lado essa figura de muitos talentos, com o bem e o mal que gerou.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/12/131226_mao_filosofica120rg.shtml

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Exercício sobre o Regime Autoriário - 2º Ano EM

Para complementar a atividade proposta, siga o link abaixo e faça esta outra bateria de questões.
Um abraço!

http://www.questoesdeconcursos.com.br/pesquisar/disciplina/historia-do-brasil/assunto/regime-militar

Exercícios sobre o Regime Autoritário - 2º Ano EM

Questão 1
(FUVEST-SP/2002) “Na presidência da República, em regime que atribui ampla autoridade e poder pessoal ao chefe de governo, o Sr. João Goulart constituir-se-á, sem dúvida alguma, no mais evidente incentivo a todos aqueles que desejam ver o país mergulhado no caos, na anarquia, na luta civil.” (Manifesto dos ministros militares à Nação, em 29 de agosto de 1961).
Esse Manifesto revela que os militares
a) estavam excluídos de qualquer poder no regime de democracia presidencial.
b) eram favoráveis à manutenção do regime democrático e parlamentarista.
c) justificavam uma possibilidade de intervenção armada em regime democrático.
d) apoiavam a interferência externa nas questões de política interna do país.
e) eram contrários ao regime socialista implantado pelo presidente em exercício.


  • Questão 2
    (Mack-SP/2004) A “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, em março de 1964, na cidade de São Paulo, foi:
    a) uma demonstração de forças conservadoras de direita contra o que chamavam de esquerdismo e comunismo do governo João Goulart.
    b) uma manifestação de apoio das famílias de trabalhadores brasileiros ao governo do presidente Goulart.
    c) uma resposta das massas populares, apoiando as Reformas de Base, após o Comício na Central do Brasil (RJ/março de 1964).
    d) uma demonstração de repúdio das classes trabalhadoras a uma possível intervenção militar, com apoio norte-americano, ao governo de Goulart.
    e) uma manifestação, de setores conservadores da sociedade brasileira, de revolta contra a tentativa de se derrubar o governo constitucional.


  • Questão 3
    (FGV-SP/1998) Em relação ao Golpe Militar de 1964 no Brasil, pode-se dizer:
    I- Foi fruto de uma conspiração civil-militar alarmada com os rumos nacionalistas do governo João Goulart.
    II- Foi a forma encontrada pelos comandos militares para garantir a posse do novo presidente.
    III- Representou a repulsa de setores da sociedade brasileira à tentativa de João Goulart de aumentar a presença do capital estrangeiro no país.
    IV- Evitou a tentativa do Partido Comunista Brasileiro, de sindicatos de trabalhadores e de setores do Partido Trabalhista Brasileiro de exigir do presidente, a implementação imediata das “reformas de base”.
    Estão corretas as frases:
    a) III e IV. b) III e V. c) I, II e III. d) I, IV. e) II, III e IV.


  • Questão 4
    (UFC-CE/2001) “Chefes altamente qualificados do Movimento de Março de 64 preferem chamá-lo contra revolução. Com efeito, houve uma reação ao rumo desordenado e ameaçador das liberdades democráticas que a Nação tomava sob Goulart. (...) Março de 64 é, pois, uma resposta e não um projeto autônomo. Por isso, foi feito em nome do Anti: anticomunismo, antipeleguismo, anticorrupção”. (Jarbas Passarinho, Folha de São Paulo, 31/03/1982).
    “Com efeito, o governo de Jango não caiu por seus defeitos... ele foi derrubado por suas virtudes. Essencialmente porque representava uma ameaça inadmissível para as classes dominantes. Quem viveu aqueles últimos meses de tensão recordará tanto a animosidade e o ódio que se alastraram por toda a casta de privilegiados contra o governo nacionalista e sindicalista, como o entusiástico apoio popular ao governo trabalhista e reformista”. (Darcy Ribeiro, Folha de São Paulo, 30/03/1982).
    Com base nos testemunhos acima citados, faça o que é pedido abaixo.
    a) Identifique os pontos de vista de cada um dos autores citados com relação ao golpe militar de 1964.
    b) Compare os projetos políticos para o Brasil que estão implícitos nos dois trechos acima citados.


  • Questão 5
    (Unicamp-SP/1996) “A palavra revolução tem sido empregada de modo a provocar confusões... No essencial, porém, há pouca confusão quanto ao seu significado central: sabe-se que a palavra se aplica para designar mudanças drásticas e violentas na estrutura da sociedade.” (FLORESTAN Fernandes. O que é Revolução. SP: Brasiliense, 1981, p.7 e 8.)
    Explique por que, segundo o conceito proposto por Florestan Fernandes, o movimento político de 1964 não foi uma revolução.
  • terça-feira, 1 de outubro de 2013

    quinta-feira, 26 de setembro de 2013

    Oriente Médio - A Proposta de Dois Estados (A Favor)

    Dois Estados são mais viáveis

     Dois estados autônomos e soberanos e Jerusalém capital para ambos levaria à complementariedade

     A criação de dois Estados é a melhor solução para o conflito Israel x Palestina?  Sim.


    A solução de dois Estados, um para a comunidade judaica e outro para os palestinos continua sendo, até hoje, a posição oficial dos organismos internacionais, como a ONU, das lideranças palestinas e, o mais importante, é a vontade da maioria esmagadora dos dois povos envolvidos.
    Neste pequeno espaço destaco uma questão de fundo que deve ser considerada: a identidade nacional de cada um desses dois povos. A opção de um estado binacional levaria, mais cedo ou mais tarde, ao surgimento de conflitos internos entre os dois, lembrando que, antipatias e ódios estão sendo cultivados há décadas. Hoje temos duas identidades culturais e políticas, totalmente distintas e antagônicas. Ninguém abriria mão de sua própria identidade.

    De um lado, os judeus alegam que a capacidade reprodutiva dos palestinos, que é maior que a dos judeus, levaria os palestinos a se tornarem maioria num prazo curto de tempo, no caso de um estado binacional democrático, e a comunidade judaica se tornaria minoritária e sem poder, colocando em risco a sua própria identidade. Por outro lado, os palestinos alegam que um estado binacional criaria um apartheid, mesmo com maioria palestina, uma situação idêntica àquela que ocorreu na África do Sul. Ou seja, a desconfiança é tanta de ambos os lados, que dificultaria até o diálogo numa mesa de negociação.
     Dois estados autônomos e soberanos, Jerusalém capital para ambos, sendo a área das instituições sagradas administrada por organismos internacionais e acordos a serem firmados nos campos diplomático e econômico constituir-se-ão iniciativas que, no tempo, tenderão a minimizar as desconfianças, levando a uma situação de complementariedade, não apenas entre palestinos e israelenses, mas também entre todos os países do Oriente Médio, resultando numa região economicamente desenvolvida, com povos vivendo em harmonia entre si.

    Dois estados vizinhos, cada um abrigando uma minoria do outro, é uma situação fantástica para investir na harmonização das relações entre ambos os países. Respeitando-se os direitos da minoria judaica na Nova Palestina e da minoria árabe em Israel, abre-se caminho para uma efetiva relação entre os dois povos, inclusive, por motivos de parentesco que permanece existindo entre cada minoria e a maioria do país vizinho.

    Muçulmanos e judeus, por longos períodos, viveram em harmonia. As cruzadas os expulsaram do sul europeu. Todos os países árabes receberam durante séculos as comunidades judaicas que se integraram totalmente com os seus povos. O ano de 1956 foi o marco da desgraça, quando Inglaterra, França e Israel atacaram o Egito, por ocasião da nacionalização do Canal de Suez.

    O problema principal, a meu ver, reside em responder à seguinte questão: até que ponto o ocidente dominante está, de fato, interessado em ver resolvido o conflito entre árabes e israelenses? As tempestades da “Primavera Árabe” revelam, claramente, que os conflitos, naquela região, atendem aos interesses dos países centrais, seja por questões geopolíticas ou, mesmo, por recursos energéticos. Posso dizer, lamentavelmente, que o Oriente Médio voltará a viver em paz, somente, quando esgotar tudo aquilo que é de interesse dos países dominantes. Na hora “H” são esses países que definem como a questão israelense palestina deve ser resolvida.

    (*) Mohamed Habib é professor da Unicamp e conselheiro do Instituto de Cultura Árabe
    http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/31321/dois+estados+sao+mais+viaveis.shtml